Filme-ensaio de Marcelo Masagão reúne 143 filmes de diferentes épocas

Por Adriano Garrett

Além de servir como sinopse e síntese da intenção do filme Ato, Atalho e Vento, de Marcelo Masagão, a frase “as coisas não saíram como havíamos planejado” é representativa a respeito do processo de produção deste longa-metragem, que entrou em cartaz no circuito comercial paulista no último dia 30 de julho e também é uma das atrações do 10º Festival de Cinema Latino-Americano (saiba mais abaixo).

O projeto inicial de Masagão era produzir um filme sobre atos humanos em diversas áreas da vida. Ao se dar conta de que a estrutura que estava idealizando para o longa ficaria muito semelhante à de Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos, obra que realizou em 1999, o cineasta mudou seu planejamento.

“Comecei a ver muitos filmes só com a preocupação de extrair algumas partes que me chamavam atenção pelos mais variados motivos. Juntei alguns blocos temáticos (assassinatos que não deram certo, meninos com dificuldade no crescimento), mas a ideia sempre foi fugir de uma estrutura tradicional de começo, meio e fim. Esse processo de pesquisa e montagem durou um ano e meio”, conta o diretor ao Cine Festivais.

Nomes importantes do cinema brasileiro, como Jean-Claude Bernardet e Fernando Meirelles, surgem nos letreiros como consultores de edição, por terem dado sugestões sobre o trabalho durante o processo de montagem. Outra inspiração tida como fundamental por Marcelo Masagão foi a releitura do livro O Mal-Estar na Civilização, de Sigmund Freud.

No corte final, que contém exclusivamente cenas de outros longas-metragens – ficções, na maior parte – foram utilizados fragmentos de 143 filmes de diversas nacionalidades e períodos. Aparecem em tela 2.223 atores e 5.041 locações em 722 cidades.

Graças a um parecer jurídico que aponta a legalidade do uso de pequenos trechos de outras obras para a constituição de um outro produto, Masagão não precisou ir atrás dos detentores de direitos autorais de todos os fragmentos para lançar o filme comercialmente.

Além da montagem, a única intervenção visível do diretor no filme se dá no letreiro inicial, que diz que “fazer um filme de fragmentos é antes de tudo uma intenção de encontros de ‘coisas’: tantas e tortas. É o desejo de ver o que ocorre entre as coisas, sempre mais interessante que as coisas em si”.

Embora ofereça elementos de sobra para a nostalgia cinéfila, Masagão espera que seu filme ultrapasse o mero valor de recordação. “Essa coisa de localizar o plano de cada filme é uma bobagem. Minha ideia é tirar o espectador desses filmes para que eles entrem no meu”, afirma.

“Tem gente que reclama que faltou um fragmento de um filme do Glauber Rocha ou de outro diretor. Eu não sou uma cinemateca, sou apenas um diretor querendo fazer um filme de montagem”, completa o diretor.

Sessão do filme no 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

– 3 de agosto, 20h, na Reserva Cultural (haverá debate após a sessão com Jean-Claude Bernardet, Maria Rita Khel e Marcelo Machado)

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